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Amazônia em chamas: queimadas e consequências ambientais

Amazônia em chamas. Esse foi o cenário que vivenciamos na semana passada, um episódio de grande tensão no país. Queimadas, desmatamentos, incêndios, “céu escuro”, Dia do Fogo… Como esses fenômenos se relacionam? Quais são as consequências ambientais? *Por Thaís Perez

Aumento nos focos de incêndio

De janeiro a agosto deste ano, o número de focos registrados pelo Programa Queimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) foi o maior já registrado em 7 anos de monitoramento.

Em relação ao mesmo período de 2018, o programa mostra que os incêndios aumentaram 82% neste ano. Dessa porcentagem, 52,5% referem-se à região da Amazônia. A região do Cerrado é responsável por 30,1% e a Mata Atlântica por 10,9%.

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Focos de queimadas por bioma – 2019 (Fonte: http://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/portal-static/situacao-atual/)

Relações entre queimadas e desmatamentos

Os dez municípios que tiveram maior foco de incêndios florestais nesse ano são também os que apresentaram altas taxas de desmatamento, segundo a nota técnica sobre a temporada de fogo de 2019, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). Os maiores registros são nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Roraima.

Amazônia em chamas: como as queimadas são provocadas?

A região da Amazônia é uma floresta tropical úmida, ou seja, os incêndios ocorrem em situações quando a madeira desmatada fica “secando” por alguns meses e logo após isso, é incendiada para abrir espaço para pastagem ou agricultura. Incêndios naturais ou espontâneos não ocorrem com facilidade na região, de acordo com especialistas.

Céu Escuro: há relação com as queimadas?

No dia 19/08 (segunda-feira), diversas cidades do país, principalmente na região de São Paulo, viram o dia se tornar noite. Alguns meteorologistas afirmam haver relações entre o fenômeno e outros contestaram.

O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), no dia 20 de agosto, emitiu Nota Técnica que confirmaria a ocorrência desse fenômeno, denominado popularmente por “Céu Escuro”, e sua relação com as queimadas:

” Parte deste material é de origem local e oriundo da Amazônia, mas outra parte considerável, talvez a predominante, de queimadas de grandes proporções, originadas nos últimos dias perto da tríplice fronteira da Bolívia, Paraguai e Brasil, próximo da região de Corumbá, no Pantanal Sul-Matogrossense.” 

De acordo com o Climatempo, as fumaças originadas de queimadas serviram de “aglutinador” da umidade, ajudando a formar mais gotículas de água e a escurecer a base da nuvem.

“Dia do Fogo”

Realizado no dia 10 de agosto, no sul do Pará, o “Dia do Fogo” foi uma ação promovida por fazendeiros, garimpeiros e grileiros, que realizaram queimadas em diversos pontos da estrada BR-163. A ação foi organizada e convocada via aplicativo de mensagens. Municípios de Novo Progresso e Altamira, registraram, respectivamente, 203 e 273 focos de incêndio no dia 11, segundo dados levantados pelo Inpe, no Programa Queimadas.

Conforme apuração feita pela Revista Globo Rural:

“O principal objetivo (do grupo) era incendiar, no dia 10 de agosto, áreas de matas e terras devolutas, fazendo o fogo avançar sobre a Floresta Nacional do Jamanxim, uma reserva de 1,3 milhão de hectares conhecida pela sua rica biodiversidade. A ideia era alcançar a Terra do Meio, área de conflitos agrários na Amazônia.”

Combatendo queimadas

Além das políticas de fiscalização dos órgãos ambientais, existem formas de evitar que o fogo se alastre de forma descontrolada. Em entrevista ao G1, o gerente do Programa Amazônia, do WWF Brasil, Ricardo Mello, lista pelo menos três técnicas para combater incêndios ilegais:

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Consequências ambientais

Os três maiores impactos imediatos das queimadas, de acordo com André Guimarães, representante da Colisão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e diretor-executivo do Ipam são:

  • Perdas de biodiversidade: vegetações e animais sofrem em decorrência das queimadas;
  • Perdas da qualidade do solo: terra menos fértil e gradualmente mais frágil;
  • Problemas de saúde: tendência ao aumento de casos de doenças respiratórias nas cidades próximas a queimadas.

Além disso, há um grande impacto no aquecimento global. Hoje, o Brasil está entre os maiores emissores de gás carbônico (principal causador do efeito estufa no mundo), segundo dados .

Como o Geoprocessamento pode ajudar?

O conjunto de tecnologias e técnicas responsáveis pelo processamento desses dados e pelo tratamento de informações espaciais obtidas dos mesmos, para um objetivo específico, como, por exemplo, o de realizar a gestão do meio ambiente, é chamado Geoprocessamento.

Ele pode ser utilizado em pesquisas científicas de todas as áreas e para estudos ambientais, e permite, em geral, resultados essenciais para o entendimento de fenômenos e para o planejamento de ações estratégicas em gestão pública e privada.

Com o apoio do Geoprocessamento é possível produzir informações espaciais confiáveis de forma eficiente para realizar uma boa gestão ambiental.

Para saber mais, acesse: Meio ambiente: geoprocessamento para análise de impactos ambientais

O GEOeduc oferece vários cursos voltados para a área de Geoprocessamento. Recomendamos os seguintes cursos que utilizam Sistemas de Informações Geográficas (SIG) para estudo ambientais: Introdução ao Geoprocessamento; Introdução à Perícia Judicial Ambiental; Perícia Ambiental: Planejamento e Execução e Workshop: Geoprocessamento aplicado à Gestão Territorial e Ambiental.

 

Fontes da matéria: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/08/23/amazonia-em-chamas-o-que-se-sabe-sobre-a-evolucao-das-queimadas-no-brasil.ghtml
https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/08/21/aumento-das-queimadas-no-brasil-veja-12-perguntas-e-respostas-sobre-o-tema.ghtml
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/08/20/Como-as-queimadas-na-Amaz%C3%B4nia-podem-afetar-as-cidades

 

10 comentários sobre “Amazônia em chamas: queimadas e consequências ambientais

    • Viaja não, moço… Quem faz isso tem sangue brasileiro, mesmo. E muito interesse em espaço pra pastagens e monoculturas, eu diria. Nem preciso dar mais dicas, procê saber q são FAZENDEIROS. Os outros países, pelo contrário, estão indignados com tudo isso, e tão só cortando acordos com o Brasil, e, como se já não bastasse, nosso queridíssimo presidente vem pra cá falar q as causadoras foram ONGs kkkkk É rir pra não chorar, mesmo, viu.

    • Verdade, concordo super, mais pra q o desmatamento, vamos pensar se os animais fossem a gente e eles nos maltratassem, o macaco já tá esperto como o ser humano as queimadas devem parar

  1. Dia do fogo não existiu. O que sempre existiu na Amazônia foi os proprietários que realizavam queimadas, mesmo as autorizadas, a trocarem informações sobre o melhor dia para isso, antes de uma previsão de chuvas que poderiam prejudicar as queimadas. Agora, mesmo com queimadas não autorizadas se repetiu essa prática. Não se trata mesmo de dia do fogo.
    Outra coisa, muitos fazendeiros se mostram rebeldes a um estelionato do governo federal. O governo vendeu terras na Amazônia. As terras vendidas foram compradas e pagas ao governo que declarava obrigatória a derrubada de 50% da área comprada. O governo Fernando Henrique alterou a legislação e obrigou os compradores de suas terras a preservarem 80% de suas matas e não indenizou ninguém. Imagine o Sr. Comprar e pagar um apartamento de 3 quartos. Logo depois, o ex dono explica que o Sr. só poderá usar dois quartos e um banheiro do apartamento e não lhe devolver nada do preço por essa limitação de uso. É JUSTO ?

  2. Olá, bom dia!

    Gosto muito do Instituto Geoeduc, sendo que já fiz curso com vocês.

    No entanto, eu acho que vocês devem ter um pouco de cautela ao comentar sobre assuntos que envolvem política, como é o caso das queimadas na Amazônia.
    Infelizmente hoje em dia, as mídias tradicionais (como o G1 citado por vocês) não tem nenhuma credibilidade, pois estão fazendo uma campanha vexatória através de meias verdades e desinformação, com o objetivo de minar o atual governo que cortou boa parte das verbas que eram direcionadas a elas.
    A própria globo que é responsável pelo G1 sugeriu ajuda externa para cuidar da Amazônia, e dessa forma trabalhando nitidamente como traidora da nossa pátria.
    Acredito que vocês deveriam se manter focados nos assuntos técnicos, onde vocês são especialistas e cuidar com mais carinho da parte política que vem sendo distorcida diariamente com objetivos escusos.

    Grande Abraço!

    • Olá, Antônio, obrigado por seu comentário. Acreditamos que só com o debate saudável podemos produzir conhecimento de qualidade. Estamos focados nos aspectos teóricos e técnicos que envolvem a temática da gestão ambiental e territorial. E, como a maioria dos brasileiros, estamos preocupados com a Amazônia. Esses assuntos abordados no artigo são assuntos que muito interessam os alunos do Instituto GEOeduc. Não estamos focados em atacar governo ou apoiar ONGs. Para embasar nossos artigos e cursos, utilizamos dados de órgãos nacionais, como o INPE, notas técnicas que partem de órgãos com credibilidade internacional, como o INMET, e procuramos checar a veracidade das notícias antes de comentar. Nosso foco sempre será o de buscar responder a perguntas, como “o que podemos aprender com isso?” ou “como fazer um mapa que melhor represente esse fenômeno?” Ressaltamos que, aqui no GEOeduc, respeitamos a pluralidade de opiniões e posicionamentos políticos e temos colaboradores dos mais diversos alinhamentos convivendo em harmonia. Somos a favor do acesso a conhecimento e educação para todos. Isso é o que nos move. Um grande abraço!

  3. Olá Nara, obrigado pela resposta e considerações.

    Com certeza vocês são referência no trabalho que desenvolvem, mas como comentei, as questões políticas e as informações repassadas pelas mídias dominantes geram muita confusão.
    Segundo a própria nota técnica do INMET (e que vocês colocaram no texto), a fumaça foi oriunda de queimadas não originadas na Amazônia. E esse comentário foi colocado após o parágrafo das afirmações sobre o fogo na Amazônia.
    Para as pessoas com dificuldade de interpretação de texto fica muito confuso, dando a entender que a fumaça veio das queimadas na Amazônia.
    Por isso que as grandes mídias não tem mais credibilidade, porque elas atualmente desinformam com meias verdades.
    Abraços!

  4. O que fico me interrogando é: Como se tem satelites, drones, google earth e IBAMA, INCRA e não sei mais das quantas se tem pra monitorar, fiscalisar e NADA DISSO FUNCIONA?
    Pra mim, isso está a mesma coisa da JUSTIÇA(JJc/spj/mp…eetc) ninguem toma providência. Só vem o alvorosso quando tá TUDO PEGANDO FOGO.
    NÃO SEI EM PAIS ESTOU ou melhor, os chefes só tem cargos e mordomia; todos querem que O MAR PEGUE FOGO PRA COMER PEIXE FRITO.
    Hilario/Contador/Ba

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