Geotecnologia, Geomática, Ciência da Informação Geográfica: afinal, em que setor trabalhamos?

No mundo inteiro existem diversas denominações para os profissionais que trabalham com a informação geográfica e atuam no setor Geoespacial. Será que já está na hora de repensarmos como denominamos nossa área de atuação? *Por Eduardo Freitas Oliveira

Este artigo é o primeiro de uma série que irá propor algumas reflexões sobre os termos que usamos para denominar nossa área de atuação profissional e daqueles que trabalham com o dado espacial e a informação geográfica. 

A cena é bem comum: aquele parente que não vemos há algum tempo chega e pergunta no que você está trabalhando, e aí começa um malabarismo verbal para explicar o que são sistemas de informação geográfica, sensoriamento remoto, topografia… E no fim acabamos dizendo: “Sabe o Google Earth? É mais ou menos aquilo.”

Ou então, quando um candidato está buscando uma oportunidade de trabalho em um site de vagas, precisa pesquisar por vários termos ligados a Geo para somente então descobrir que um cargo que era para ser de Analista GIS foi cadastrado como Especialista em Informação Geográfica.

Dentro do próprio setor, não existe uma padronização dos termos: Geotecnologia, Geomática, Geoinformação e tantos outros “Geos” confundem a cabeça de quem já trabalha na área. Agora imagina para os estudantes que estão entrando no mercado…

Informação Geográfica e os Geosserviços

A própria Google, quanto encomendou um estudo de mercado para a empresa Oxera, em 2013, deve ter ficado confusa pois eles inventaram uma palavra “Geoservices” – ou Geosserviços, em tradução livre – para denominar tudo ligado a Geo, desde receptores GNSS até imagens de satélites e navegadores.

Mas “Geosserviços” também não é um bom termo. Assim como Geotecnologia – um termo consagrado no Brasil – também não é, por focar somente na Tecnologia Geoespacial, deixando todo o resto de lado.

Além destes, orbitando o sufixo “Geo” temos vários outros termos, cada um com seu uso e especificidade:

Geomática – usado em alguns lugares do mundo – como o Canadá, por exemplo – para tudo que é ligado a Geo, desde SIG até sensoriamento remoto, mas no Brasil é sinônimo de Topografia;

Geoprocessamento  muitos no Brasil usam como sinônimo de SIG, mas que pode ser muito mais abrangente, dependendo do seu uso. Como por exemplo, quando abrange desde a coleta, tratamento e compartilhamento de dados geográficos;

Tecnologias/Soluções Geoespaciais – em outros países – como EUA e Índia – são muito usados, mas por aqui pode dar a impressão de estar se falando de algo mais voltado a Astronomia. E na Alemanha este termo nem faz sentido, por ser redundante (Geo/Espacial se referem a Terra); 

Geoinformação – geralmente é mais usado quando falamos de dados ou informações geográficas;

Georreferenciamento – pode ser usado, por exemplo, para denominar algo que tem referência com a Terra ou que tem coordenadas definidas. No Brasil virou sinônimo de Georreferenciamento de imóveis rurais com vistas à certificação pelo Incra, devido à Lei 10.267/2001. Em tempo: GeoIncra também é bastante usado para se referir a isto;

Geomensura – é um termo que está muito ligado ao Georreferenciamento de imóveis rurais, mas que poderia ser mais abrangente;

SIG/GIS – são os termos corretos para denominar Sistemas de Informação Geográfica, mas que poucas pessoas de fora do setor conhecem.

Leia também: O mercado promissor do geoprocessamento: perspectivas do setor de GIS entre 2018 e 2022

Então, o que poderíamos usar para denominar, de forma mais correta e inteligível por todos (desde o mais leigo até o mais técnico), este setor no qual atuamos?

Ciência da Informação Geográfica

Aqui, começamos a propor algo mais abrangente, que trate o que é “Geo” como uma disciplina, e não somente como um meio para atingir um fim. Para isso, primeiro vamos à conceituação de Ciência:

Ciência é um corpo de conhecimentos sistematizados adquiridos via observação, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, e formulados metódica e racionalmente.

Ou, ainda: Ciência é a acumulação de conhecimentos sistemáticos.

Indo um pouco além, chegamos nesta definição de Ciência da Informação Geográfica, de Mike Goodchild, pesquisador da Universidade de Santa Bárbara (EUA) que assessorou o ex-presidente Al Gore no filme Uma Verdade Inconveniente:

Information Science can be defined as the systematic study, according to scientific principles, of the nature and properties of information. Geographic Information Science is the subset of information science that is about geographic information.

Em uma tradução livre:

Ciência da Informação pode ser definida como o estudo sistemático, de acordo com princípios científicos, da natureza e propriedades da informação. Ciência da Informação Geográfica é um subconjunto da ciência da informação, relacionada com as informações geográficas.

Ou seja, faz sentido para você falar em Ciência da Informação Geográfica? Ou, usando um termo mais curto e “marketeiro”, Geociência?

No próximo artigo desta série vamos falar um pouco mais sobre o que engloba a CIG (sim, você leu corretamente… a partir de agora você verá mais a sigla CIG com C, não com S), ou Ciência da Informação Geográfica.

Até lá…

Requisitos e habilidades dos profissionais de Geo

O GEOeduc fez uma pesquisa sobre quais os requisitos e habilidades mais valorizados pelos recrutadores no setor de Geotecnologia. Veja quais itens são obrigatórios e quais evitar em seu currículo, confira quais são as habilidades indispensáveis para qualquer profissional de Geo e saiba quais são os diferenciais que vão fazer seu currículo de destacar entre os demais:

Relatório de Pesquisa: Requisitos e Habilidades dos Profissionais de Geo

Empreendendo na área da Ciência da Informação Geográfica

Você sempre quis empreender nessa área, mas as incertezas do mercado te desanimam? Você tem dúvidas sobre como começar o seu negócio? Você, que tem vontade de avançar dentro da empresa em que trabalha, sabia que é possível ser um colaborador empreendedor? Esta é a sua chance de conhecer todo o seu potencial!

Instituto GEOeduc tem o prazer de anunciar que estão abertas as inscrições para o curso online de GeoEmpreendedorismo. Com carga horária de 30 horas, este treinamento é realizado de forma totalmente remota.

 

Eduardo Freitas, Idealizador do geoXchange, Co-Fundador do MDI, Consultor-Especialista no GEOeduc, Diretor de Operações do MundoGEO, Projetista na Engest Engenharia. Engenheiro Cartógrafo (UFPR), Técnico em Edificações (UTFPR), Especialização em Gestão Estratégica em EAD (Senac-SP), com mais de 20 anos de experiência em Obras Civis e Geotecnologia, atuando em empresas como Engebanc, Vertrag, Absoluta, Empresa Júnior de Cartografia da UFPR, entre outras. Coordenador do Instituto GEOeduc de 2014 a 2017.

 

Um comentário sobre “Geotecnologia, Geomática, Ciência da Informação Geográfica: afinal, em que setor trabalhamos?

  1. Eduardo Freitas Oliveira esta excepecional seu artigo, bem interessante…mas a ciência é a Geografia e seu nome é Geografia e o que fazemos é geografia. Precismos voltar a discutir, debater, estudar especialmente o que é Geografia e o que é ser Geógrafo….afinal quando digo. conceito trivial de geografia: “… tratar da descrição da TERRA (estou falando do nosso UNIVERSO mais próximo, nosso tudo existencial), quando digo estudos dos fenômenos…físicos, biológicos e humanos estou falando de fato, de TUDO…e quando digo que o foco é quando e como ocorrem os interfenômenos observando suas causas, relações e consequências (objetivo)” comentários confrontando com o artigo…o que hoje estaria fora da Geografia e que termo e nome citato lá não se aplicaria a nossa ciência? Porém temos que cuidar, quando confundimos (prática comum em ciências complexas) ferramentas e tecnologia com ciência, este é o grande problema em NOSSA Geografia…muito geógrafos preferem ser e fazer qualquer coisa, menos geografia. Sofremos ESTRATOSFÉRICO prolema de identidade, enquanto geógrafos, pois muitos de NÓS não conhecemos nossa ciência. Quando a geografia é uma ferramenta e quando muitos confundem uma ferramenta como ciência (não desqualificando nenhuma outra ciência), penso que este é nosso grave problema enquanto Geógrafos diante de nosso monstro interno chamado Geografia. Parabéns Eduardo Freitas Oliveira belo texto, precisamos de uma série deles para novas reflexões especialmente as autoreflexões dos nossos geógrafos e geógrafas.
    Jorge Campelo – APROGEO-PR

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