Entenda como funciona os Modelos Multicritério para o processo decisório

No artigo desta semana, falarei sobre os Modelos Multicritério para o processo decisório.

Caso alguns termos utilizados aqui fiquem muito técnicos, convido você acessar nosso glossário de Geotecnologias: http://conteudo.geoeduc.com/glossario-geotecnologias

Por Arthur Paiva*

Para nos adaptarmos a complexidade do mundo real, precisamos reduzir os eventos de interesse a um modelo quantificável. Em problemas complexos, o processo de avaliação tem demandado melhorias no processo de tomada de decisão. Assim, a teoria da decisão surge como um estudo formal da convergência entre as escolhas, as alternativas e as respostas referentes a diversos contextos de análise.

A análise de problemas multicritério para o processo decisório passa pela consideração dos modelos referentes às qualidades dos operadores/atores diretamente envolvidos. Essas qualidades se referem a transdisciplinaridade e a multidisciplinaridade, conforme será explicito nos paradigmas decisórios.

Paradigmas do Processo Decisório

O contexto do evento, na qual será aplicada a análise multicritério, irá nortear o paradigma científico a ser adotado para compor a estrutura decisória. Dessa forma, os modelos são sustentados por duas perspectivas de análise:

Apoio à Decisão (MCDA) – Paradigma originário da escola europeia, tem como foco gerar conhecimento aos decisores sobre as questões do evento modelado. Este paradigma visa a busca do equilíbrio entre os parâmetros, tendo como demanda uma equipe multidisciplinar, onde cada ator (especialista) aponta um problema ou solução referente ao seu parâmetro de análise.

Tomada de Decisão (MCDM) – Paradigma originário da escola americana, tem como objetivo gerar soluções ótimas, do ponto de vista operacional ou financeiro. A equipe de especialistas, de forma transdisciplinar, é integrada e colabora com a tomada de decisão mais vantajosa aos objetivos propostos pelo modelo. Dessa forma, os critérios são elencados e avaliados sob uma ótica utilitarista, ou seja, na capacidade de transformar o mundo real de forma mais eficiente.

Uso das ferramentas de Sistema de Informação Geográfica

No contexto de uso das ferramentas SIG, a modelagem multicritério segue uma série de etapas para gerar uma cartografia decisória do evento em análise. Essas etapas são descritas abaixo:

1. Identificação do Evento: Consiste em investigar a contextualização geográfica do evento, suas razões e sua influência com variáveis diversas. Nesta etapa, são elencadas as hipóteses de ocorrência do evento, devendo respeitar um conjunto de restrições que definem a viabilidade.

2. Seleção de Parâmetros: Nesta segunda etapa, surge o aspecto da interdisciplinaridade do caso em estudo. Um conjunto de especialistas discutem sobre os parâmetros (variáveis) relevantes na modelagem do evento. Para permitir a concatenação dos fatores, os parâmetros devem ser normalizados (inferência espacial) para a aplicação da álgebra de mapas.

3. Análise da Significância Estatística: Esta etapa é fundamental, pois atesta a relevância do parâmetro ao modelo proposto. Com estatística descritiva e testes de hipóteses, vamos definir quais fatores são relevantes e devem ser integrados ao modelo. Embora o especialista afirme que determinado parâmetro é importante, é preciso confirmar se, estatisticamente, o fator é expressivo no modelo.

4. Metodologia Multicritério: Dependendo da relação entre os critérios, há diversos tipos de metodologias multicritério a serem aplicados: Método de rank, TOPSIS, AHP, ELECTREE, dentre outros. No contexto espacial de modelagem, a metodologia TOPSIS, rank e AHP são amplamente utilizadas dentro do ambiente de Sistemas de Informação Geográfica.

5. Validação do Modelo: A validação do modelo é realizada com dados estatísticos ou com visitas a campo nas áreas indicadas. Isso proporciona credibilidade e a definição de que o modelo, de fato, representa a realidade. O ajustamento do modelo é efetuado nesta etapa.

Aplicando os conceitos na prática

Ficou interessado em aprender a utilizar estes conceitos na prática? Convido você a participar do nosso curso online sobre Análise Multicritério de apoio à decisão com SIG.

Neste treinamento será aplicada a técnica AHP por ser mais utilizada e intuitiva dentro de contextos ambientais. Vamos aplicar os conceitos acima e confeccionar um mapa final, a fim de comunicar o risco geograficamente modelado.

Arthur Paiva* – Engenheiro cartógrafo formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atualmente consultor e instrutor do instituto GEOeduc, possui 5 anos de experiência em softwares GIS e de Processamento Digital de Imagens. Apresenta conhecimentos em assuntos como, geoestatística, geomarketing, análise ambiental, gestão de banco de dados dentre outros temas. Atuou como suporte técnico e na confecção de materiais de cursos de extensão em geotecnologias pelo Laboratório de Geoprocessamento da UERJ (LABGIS UERJ). Possui experiência na área de agrimensura, como no mapeamento de estradas e túneis a partir de levantamentos geodésicos (Diferencial, estático e RTK) e a partir de levantamentos com equipamentos topográficos, como estação total, Laser Scanner fixo e o Laser Scanner Móvel (acoplado em automóvel).

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