Geografia Decisória: Como tomar melhores decisões com dados geográficos

Por Arthur Paiva

Tomamos decisão a todo momento em nossas vidas. A habilidade de chegar a uma conclusão ou definição, a respeito de qualquer circunstância, é uma característica a ser aperfeiçoada permanentemente. Assim, o processo de tomada de decisão se configura como uma tarefa delicada na busca por resultados.

A geografia é um importante aliado na análise, por ampliar os níveis de entendimento do cenário, uma vez que podemos reunir diversos planos de informação georreferenciados. Para iniciar com o processo geográfico decisório, há 4 etapas de atuação para a modelagem: Identificação do evento, seleção de parâmetros, análise das alternativas e a eficácia da decisão.

A identificação do problema consiste em investigar o evento a ser modelado em situações passadas, a fim de extrair possíveis similaridades que servirá de apoio a análise presente. A contextualização geográfica do evento, suas razões e sua influência ao longo da área de estudo são etapas a serem avaliadas na primeira etapa do método.

O Sistema de Informação Geográfica (SIG) desponta como o principal instrumento de agrupamento dos dados diretamente relacionados na introdução ao tema. Nesta segunda etapa, surge o aspecto da interdisciplinaridade do caso em estudo. Um conjunto de especialistas discutem sobre os parâmetros (variáveis) relevantes na modelagem do evento. No âmbito do SIG, esses parâmetros são padronizados a uma mesma escala de detalhamento e referenciados a um mesmo sistema de coordenadas na garantia da consistência geográfica e dimensional das áreas a serem resultadas do modelo.

A terceira etapa do método decisório exige a escolha de uma técnica de análise de alternativas. Em ambiente SIG, a técnica AHP (Analytic Hierarchy Process) surge como a forma mais intuitiva e simples de análise dos critérios. O processo consiste em decompor o problema em forma de hierarquia das variáveis e a comparação dos critérios entre si, em grau de relevância ao caso. Dessa forma, as comparações são transformadas em coeficientes de importância, elaborando, então, um modelo matemático do evento a ser modelado. O quadro abaixo ilustra o esquema referente ao processo decisório hierárquico. [1]

Por fim, a eficácia da decisão prescinde de duas ações: a validação em campo e a compatibilização com os indicadores relacionados. Como exemplo, na modelagem de áreas suscetíveis à deslizamentos, sempre é adequado visitar as áreas de risco apontadas pelo modelo para corroborar a modelagem realizada. Isso garante confiabilidade. Além disso, esta abordagem foi adotada com sucesso em nosso curso online de Avaliação de Impactos Ambientais com ArcGIS.

Instrumentos SIG de Modelagem

O software QGIS apresenta capacidade operacional para aplicar a modelagem de critérios no apoio a decisão. Em nosso próximo WebTreinamento, será abordada a técnica AHP com o processamento geográfico dos pesos gerados de forma linear. Abaixo, um mapa gerado pelo método, apontando as áreas próprias para a construção de postos de combustível.

Fonte: O autor

A tomada de decisão é inerente ao trabalho de qualquer agente envolvido no evento em questão. No entanto, as decisões são etapas dentro de um contexto mais amplo de estratégia e atuação. Logo, dispondo de um software livre, sem custo, a construção de modelos cada vez mais precisos está ao alcance de qualquer pessoa.

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