Crise da água e Gestão de Recursos Hídricos: Cidade do Cabo, São Paulo e o mundo

A semana do Fórum Mundial das Águas traz uma oportunidade de discutir políticas e soluções na garantia da sustentabilidade relacionada aos recursos hídricos a nível nacional. O risco de racionamento de água é sempre alertado e, frequentemente, se concretiza na nossa vida cotidiana, onde nos restringimos do acesso à água nos mais diversos hábitos, como no banho, na limpeza domiciliar, no lazer aquático e até mesmo na ingestão recomendada de líquidos.

Por Arthur Paiva*

Um exemplo de colapso por deficiência hídrica é a Cidade do Cabo, metrópole da África do Sul. Em um cenário com poucas chuvas (3 meses), crescimento populacional acelerado e aumento de demanda e desperdício, o local se mostra insustentável, ao ponto de o governo local estabelecer o Dia Zero (o dia onde a água vai acabar, de fato). O reflexo negativo da completa falta de água é de dimensões jamais vistas no mundo moderno.

No Brasil, não podemos nos considerar tão distantes disso, apesar da riqueza dos recursos hídricos e das boas características climáticas em que estamos inseridos. Basta nos lembrarmos da crise hídrica que tomou São Paulo entre 2014 e 2016. Ainda hoje, mesmo após as chuvas voltarem e os volumes dos reservatórios aumentarem, a situação é preocupante .

Solução Espacial para a Gestão de Recursos Hídricos recursos hídricos

Para impedir a escalada do problema hídrico, a nível nacional, devemos entender o contexto da crise que é puramente geográfica em 4 pontos:

  1. Política Geográfica de Águas: Para evitar problemas jurídicos a respeito do direito de uso de reservas hídricas, o País deve criar regras claras e efetivas para arbitrar eventuais disputas de água em tempos de estiagem, como no caso da capital paulista, que é abastecida pelo mesmo rio que atende ao município de Campinas, ambos dependentes do Sistema Cantareira. A gestão de enquadramento da qualidade de rios de acordo com seu uso é um instrumento que racionaliza o processo de consumo.
  2. Gestão de Bacias: A representação de bacias hidrográficas em um ambiente de manipulação de dados georreferenciados permitem realizar estudos e monitorar as condições hídricas de uma bacia. O planejamento dos ativos hídricos ao longo de uma bacia principal, o dimensionamento da vazão dos corpos hídricos, a análise da forma da bacia na identificação de pontos estacionários e de escoamento livre, são exemplos de instrumentos de gestão.
  3. Gestão Ambiental: Para cuidar, é preciso monitorar. A visão ambiental contribui na garantia de recursos perenes em dada bacia. A mensuração das Áreas de Proteção Permanente (APP) e seu monitoramento com o uso de imagens orbitais garantem a integridade das margens do recurso hídrico, possibilitando o mesmo se renovar.
  4. Gestão de Risco: A avaliação de locais potenciais a risco de enchentes, depende de uma análise prévia da bacia em questão e de outros fatores: declividade, tipo de solo, uso do solo dentre outros. Um modelo de risco é elaborado e aplicado em uma simulação de vazão, no ambiente SIG.

Os 4 pontos levantados são destaques no processo de monitoramento, entendimento e resolução de problemas relacionados à gestão de recursos hídricos. sendo assim, para garantir e auxiliar esses 4 pontos, as ferramentas de SIG se mostram fundamentais para o processo de aquisição e tratamento dos dados, bem como para a tomada de decisão.

Privatização da água recursos hídricos água potável

O 8º Fórum Mundial da Água, que acontece em Brasília nesta semana, também levanta questões e protestos acerca da comercialização e o valor da água. Como o Brasil é um país privilegiado neste recurso, interesses econômicos mundiais mantêm os olhos e os investimentos voltados para o país, neste setor.

Além disso, outras notícias recentes relacionadas à gestão de recursos hídricos geram revolta e ganham repercussão, como a de que uma grande multinacional norueguesa descartou, irregularmente, água contaminada e não tratada em curso dágua no Pará.

Palestra sobre Gestão de Recursos Hídricos

No dia 28/03/2018, quarta-feira, às 19h00, o Instituto GEOeduc irá promover o Webinar de Gestão Ambiental com SIG, no qual serão lançados os cursos “Gestão de Recursos Hídricos com Sistemas de Informação Geográfica” e “Avaliação de Impactos Ambientais”, que farão parte, junto ao curso de “SIG para Licenciamento Ambiental” de uma trilha de Gestão Ambiental.

Vamos abordar os seguintes tópicos na palestra:

  • Meio Ambiente e Economia
  • Impacto Ambiental
  • Instrumentos Jurídicos de Redução de Impactos
  • Contexto Espacial de Impactos
  • Política Nacional de Recursos Hídricos
  • Gestão de Recursos Hídricos
  • Sistemas de Informações Geográficas
  • Impacto Social dos SIGs

Para saber mais sobre a importância do uso dos SIG nos níveis de gestão, recomendamos também a leitura desse interessante artigo sobre Por que utilizar a Análise Geográfica para tomada de decisão.


Arthur Paiva – Engenheiro cartógrafo formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atualmente consultor e instrutor do instituto GEOeduc, possui 5 anos de experiência em softwares GIS e de Processamento Digital de Imagens. Apresenta conhecimentos em assuntos como, geoestatística, geomarketing, análise ambiental, gestão de banco de dados dentre outros temas. Atuou como suporte técnico e na confecção de materiais de cursos de extensão em geotecnologias pelo Laboratório de Geoprocessamento da UERJ (LABGIS UERJ). Possui experiência na área de agrimensura, como no mapeamento de estradas e túneis a partir de levantamentos geodésicos (Diferencial, estático e RTK) e a partir de levantamentos com equipamentos topográficos, como estação total, Laser Scanner fixo e o Laser Scanner Móvel (acoplado em automóvel).


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *