O trabalhador do futuro já está no presente

Por Nara C. Costa

Na era da informação em que vivemos, há um novo jeito de se trabalhar e ele veio para ficar. E, ao contrário do que muitos podem pensar, não é por causa de mudanças em leis ou da crise econômica vigente. Esse novo jeito de trabalhar está aí porque os novos trabalhadores, sobretudo aqueles de áreas relacionadas à tecnologia, querem assim.

Os Millennials, pessoas da Geração Y, nascidas a partir de 1980, e os Centennials, Geração Z, nascidos de 1995 para cá, não se ajustam mais ao conceito de força de trabalho tradicional, não gostam de se fixar por muitos anos a uma única empresa ou posição e sentem real necessidade de realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo. E são eles que assumem as novas posições de trabalho no mercado mundial de agora em diante.

Essa nova força de trabalho não gosta de se integrar a uma jornada convencional, nem a um ambiente de trabalho tradicional ou a um turno específico, muito menos a regimes de hierarquia ultrapassados ou a programas de progressão de carreira engessados.

O novo trabalhador quer um ambiente de trabalho livre, criativo, estimulante e engajado aos mais diversos interesses e atividades. Chega de salinhas e estações de trabalho isoladas, chega de proibições sobre uso de redes sociais durante o trabalho, chega de cargos com atribuições repetitivas e sem perspectiva de aprendizado ou crescimento.

Esse novo trabalhador também almeja poder realizar o seu trabalho de casa, quando quiser ou precisar, e prefere se dedicar a jornadas mais extensas e altamente produtivas e focadas, principalmente se isso lhe permitir tirar folgas longas em feriados para viajar.

Com isso em mente, os líderes dessa força de trabalho do futuro precisam entender esse movimento e se preparar para ele. É necessário transformar o ambiente de trabalho ou se mudar para novos espaços que oferecem esse ambiente já totalmente estruturado, como os coworkings, um modelo de negócio que é resultado direto dessa grande transformação do trabalho do futuro. É essencial também investir em capacitação tecnológica, educação e treinamento, tendo em vista a demanda desses profissionais e velocidade das mudanças tecnológicas.

Os trabalhadores do futuro, e isso inclui seus líderes, estão encabeçando mais esse processo disruptivo – essa grande mudança de paradigma que transforma o trabalhador, antes visto como o maior ativo das empresas, em um investidor, um contribuidor ou colaborador. O trabalhador do futuro precisa, antes de tudo, acreditar no que faz, gostar do que faz, ver futuro no que faz.

Não adianta, portanto, insistir em fórmulas de gestão do passado. Não adianta nem mesmo estabelecer grandes salários ou prêmios. A nova força de trabalho veio para mudar tudo. E essa mudança, como tudo nessa era de internet das coisas, realidade virtual, inteligência artificial e cidades inteligentes, não vai acontecer devagar.

Nara Cherubino Costa – Graduação com bacharelado em Direito e bacharelado e licenciatura em Letras, pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, com especializações em Língua Portuguesa e Língua Inglesa. É empresária no ramo de comércio e serviços, proprietária e gestora de um espaço de coworking, o Coffice Coworking e Café, onde promove a prática do Co-learning, através de parcerias com empreendedores do ramo da educação, de palestras e debates abertos ao público, predominantemente para as áreas de educação e empreendedorismo.

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