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Precificação e valor da hora técnica: Quanto vale seu trabalho cartográfico?

No cotidiano profissional, sempre nos deparamos com a situação de equacionar o binômio esforço-recompensa à procura de uma rentabilidade justa para o nosso serviço: a etapa chamada de precificação. 

Por Arthur Paiva *

A ação de orçar um serviço, qualquer que seja, é sempre delicada, pois o preço influencia na maneira como o cliente irá julgar o profissional e o produto que está consumindo. Na cartografia, não é diferente. A demanda por um mapeamento temático não se configura somente no documento cartográfico final ou no layout do projeto. A veracidade dos dados do terreno, a qualidade e descrição dos processamentos aplicados e a análise final do projeto são etapas de relação direta com a confecção do produto, logo fazendo parte de toda a cadeia de custos.

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Como fazer a precificação

Para efetivar um orçamento de mapas temáticos, podemos nos referenciar de três formas: Na consulta dos valores referentes aos honorários da classe profissional (publicados por sindicatos ou entidades de classe), na aplicação da média salarial do cargo técnico responsável (reajustada para a quantidade de dias do serviço) ou na aplicação de uma fórmula de composição do preço de serviço e valor da hora técnica.

Uma fórmula que pode ser aplicada, de forma bem simplificada, para estabelecer a precificação é a seguinte:

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Cada componente da fórmula de precificação expressa:

  • Material: É o valor da componente material que será utilizada exclusivamente no projeto. Para os mapas temáticos, incluem-se: dias de licença de software (proprietário), percentual de diária do escritório, da luz, da conexão à internet, hardware, aplicativos, entre outros custos materiais. Lembre-se de que esses custos devem ser calculados, quando possível, em conformidade com o tempo dispendido na execução do projeto. Muitas vezes, atribuir um valor ao uso de energia elétrica ou de parte do aluguel do escritório pode ser difícil, pois não há uma forma de medição precisa desse tipo de consumo. Para esse cálculo, muitas vezes as empresas utilizam valores fixos de referência ou percentuais.
  • Serviços: Valor da mão-de-obra utilizada no projeto. O valor não é calculado somente levando em conta aspectos financeiros. Ele se estende ao dimensionamento da capacidade técnica compatível com o serviço e no grau de dificuldade do mesmo. Por isso, muitas vezes uma tabela de referência é insuficiente. Um alto reconhecimento e autoridade profissional elevam o valor dos serviços, pois são características que agregam outros valores, como garantia de qualidade, certificação, entre outros. Para o cálculo do custo unitário, deve-se multiplicar o custo da hora trabalhada do profissional pela quantitativo previsto de horas ao projeto. Logo, quanto mais elevada a hora do profissional ou quanto mais horas o serviço levar, maior o valor dos serviços. Um dado interessante é o de que nem sempre a contratação de um profissional mais gabaritado deixa o projeto mais oneroso. Muitas vezes, o profissional cuja hora é mais cara também faz o projeto em menor tempo e/ou com mais qualidade técnica, por ser mais experiente e capacitado. Analisando por essa ótica, o serviço do profissional com hora de trabalho mais baixa pode acabar custando muito mais ao projeto. (Obs.: Se a demanda é urgente e requer hora extra do profissional, o valor da hora extra deve ser maior do que a hora regular, o que eleva o valor total do serviço. É muito importante mensurar isso e explicitar essa informação ao cliente/contratante, pois a desatenção a esse detalhe pode contribuir para a desvalorização do trabalho e do esforço, bem como para a percepção distorcida de tempo adequado para a realização de determinados serviços).
  • Terceiros: São os fornecedores. Caso o profissional tenha que contratar consultoria especializada ou acesso a bases de dados particulares (dados geográficos), o preço dos fornecedores é repassado para o demandante de forma integral.
  • Lucro: O fator lucro é fundamental em qualquer projeto. O lucro bruto é definido pelo retorno positivo do investimento de tempo e operação feito pela empresa. O lucro líquido deve considerar também os tributos.

Os tributos não podem ser negligenciados. Eles são as despesas legais que devem ser recolhidos sobre notas de serviço, de produto e valor do faturamento. São percentuais fixos e dependem de alíquotas que variam conforme a categoria da empresa ou do estado. Os impostos devem sempre ser computados na precificação, pois eles correspondem a um valor considerável que, se esquecido, pode consumir toda a margem de lucro e mais.

Veja que a fórmula de precificação deve ser aplicada de forma eficiente, pois o misto de custo baixo e eficiência com reconhecimento e competência garante vantagem competitiva frente a cenários com alto volume de oferta de serviços.

Queda de preço x desvalorização profissional

Com o aumento do quantitativo de empresas de mapeamento temático e o advento dos softwares livres, o preço do serviço de documentos cartográficos tende a cair. No entanto, há uma oportunidade nesse cenário.

Ao mesmo tempo em que há insumos de baixo custo na confecção de mapas temáticos, a evolução da capacidade operacional dos softwares livres contribui para aumentar o valor agregado do produto. Assim, quanto mais competência e habilidade técnica tem o profissional, maior o diferencial do produto gerado e mais potencial de ganhar sobre o serviço ou aumentar a margem. Como consequência, o nível de satisfação da demanda aumenta, as recomendações e o volume de serviços também, gerando maiores margens de lucro e capacidade de criar reserva de mercado.

Em vista disso, a construção de um orçamento e de uma tabela de precificação de serviços deve ser feita com bastante cuidado para não incorrer em trabalho excessivo com ganho baixo. O que se deve buscar é o inverso: trabalho eficiente e rápido (alta performance) com ganho elevado (serviço valorizado e boa margem de lucro). A aplicação de métodos bem definidos, assim como valores oficiais de referência, contribuem para a construção do melhor preço do serviço a ser efetivado em um dado mapa e devem ser adotados sempre que possível no processo de precificação, para evitar cair na pechincha pelo menor preço, que tende a depreciar e desacreditar o profissional.

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Arthur Paiva – Engenheiro cartógrafo formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atualmente consultor e instrutor do instituto GEOeduc, possui 5 anos de experiência em softwares GIS e de Processamento Digital de Imagens. Apresenta conhecimentos em assuntos como, geoestatística, geomarketing, análise ambiental, gestão de banco de dados dentre outros temas. Atuou como suporte técnico e na confecção de materiais de cursos de extensão em geotecnologias pelo Laboratório de Geoprocessamento da UERJ (LABGIS UERJ). Possui experiência na área de agrimensura, como no mapeamento de estradas e túneis a partir de levantamentos geodésicos (Diferencial, estático e RTK) e a partir de levantamentos com equipamentos topográficos, como estação total, Laser Scanner fixo e o Laser Scanner Móvel (acoplado em automóvel).


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