Python e QGIS

Python para quê? Para QGIS. Vantagens dessa linguagem em SIG

Python dentro do QGIS pode melhorar as funcionalidades desta última ferramenta, permitindo ir além dos comandos tradicionais, criar, expandir e automatizar soluções para problemas mais complexos, levando os Sistemas de Informação Geográfica para dentro da Ciência de Dados.

Por Arthur Paiva *

Python é uma linguagem de programação de alto nível, de desenvolvimento comunitário, aberto e gerenciado pela Python Software Foundation.

Atualmente, a linguagem é usada em diversas áreas, como servidores de aplicação, computação gráfica, linguagem de script e em procedimentos armazenados.

Por sua vez, o QGIS, plataforma de sistema de informação geográfica que permite a visualização, edição e análise de dados georreferenciados, se tornou uma alternativa robusta e relevante diante do cenário de desenvolvimento de projetos de análise espacial de qualquer natureza. Por ser open source, qualquer usuário pode desenvolver aplicações ou mesmo melhorar a plataforma. Como é desenvolvida na linguagem de programação C++ e complementada com extensões (plug-ins) desenvolvidas em Python, o usuário dispõe de insumos e recursos de programação para customizar seus processamentos e técnicas.

Programação em Python no QGIS

Infelizmente, muitos usuários do QGIS fogem do aprendizado de qualquer linguagem de programação, por simplesmente acharem complexo ou por não enxergarem suas aplicabilidades. Isso é uma pena, pois há uma enorme demanda de mercado por profissionais que tenham conhecimento tanto de SIG como de Python. É seguro dizer que o profissional com o domínio de ambos no currículo não fica desempregado na atual conjuntura.

Diante disso, o usuário – que está em busca de agilidade, produtividade ou qualidade de análise dos dados – perde uma gama de recursos no apoio ao seu projeto.

Elencamos as 4 principais vantagens do aprendizado dessa linguagem para a aplicação no QGIS:

  1. Facilidade de Aprendizado: A linguagem Python apresenta um perfil intuitivo e fácil de entendimento pelo desenvolvedor. Suas regras de sintaxe, indentação e classe são facilmente assimiladas por um usuário iniciante. Isso traz motivação e segurança ao usuário do QGIS;
  2. Simplicidade: Por se apresentar como um código eminentemente lógico, as regras da linguagem se alinham com a linguagem humana. Considerada uma linguagem de alto nível, o Python permite a obtenção de respostas complexas com o uso de linhas de comando simples;
  3. Alternativas às ferramentas do Sistema QGIS: Caso haja problemas com a interface de uma ferramenta específica a sua análise, a aplicação de comandos Python auxilia no processamento de dados. De forma intuitiva, podemos “chamar” qualquer ferramenta do QGIS para o processamento instantâneo em dado projeto.
  4. Desenvolvimento de Plug-ins: A modelagem de novas ferramentas de processamento é facilitada com o domínio da linguagem Python. Além disso, ela é multiparadigma, passível de desenvolvimento para qualquer tipo de ambiente e interface, como web, móvel ou desktop.

Popularização do Python

Por fim (e talvez um dos pontos mais importantes a se enfatizar), o aprofundamento dos conhecimentos nessa linguagem de programação não é restrito somente aos programadores experientes. O usuário comum pode se beneficiar na aceleração dos processos e na customização de projetos com o código Python.

Se os conhecimentos em programação e em sistemas de informação geográfica se popularizarem e deixarem de carregar o estigma de que são demasiado complexos e inacessíveis aos usuários comuns, cada vez mais soluções inovadoras e valiosas em geoprocessamento podem começar a surgir.

O Instituto GEOeduc oferece também o curso “Por dentro da programação Python no QGIS”. Este curso fornece conceitos e técnicas da linguagem Python, aprofunda nas técnicas de processamento de dados com linhas de comando e ensina a criar scripts para plugins.

Caso deseje se aprofundar mais em seus conhecimentos sobre QGIS, recomendamos a leitura desse interessante artigo sobre Processamento Geográfico: Ferramentas Avançadas do QGIS 3.0 e otimização.

Arthur Paiva – Engenheiro cartógrafo formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atualmente consultor e instrutor do Instituto GEOeduc. Possui 5 anos de experiência em softwares GIS e de Processamento Digital de Imagens. Apresenta conhecimentos em assuntos como, geoestatística, geomarketing, análise ambiental, gestão de banco de dados. Atuou como suporte técnico e na confecção de materiais de cursos de extensão em geotecnologias pelo Laboratório de Geoprocessamento da UERJ. Possui experiência na área de agrimensura, no mapeamento de estradas e túneis a partir de levantamentos geodésicos (Diferencial, estático e RTK) e a partir de levantamentos com equipamentos topográficos, como estação total, Laser Scanner fixo e o Laser Scanner Móvel (acoplado em automóvel).


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