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Queimadas e desmatamento: quais são suas relações com a Amazônia?

O percentual de queimadas na Amazônia no mês de agosto é o maior já registrado pelo Inpe. Especialistas e entidades ambientais afirmam que a ocorrência de queimadas está relacionada ao processo de desmatamento. *Por Thaís Perez

O Programa Queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), apresentou dados referentes às queimadas que ocorrem na região Amazônica. Sabe-se que os incêndios no bioma responderam 65,1% do total, esse percentual é o maior já registrado (em relação a outros biomas), entre os meses de agosto desde o início da medição, em 2003.

O último percentual já registrado foi em 2005, quando 46% das queimadas atingiram a Amazônia. Por vários anos, o cerrado – devido a suas características climáticas e de vegetação – era o líder em queimadas. O bioma respondia por 60% dos focos em agosto de 2018, e a Amazônia correspondia apenas 20% do total do mesmo ano.

Explicações para as queimadas no Amazônia

No cerrado, existe um fenômeno denominado “ignição espontânea” que a partir de processos naturais, provoca queimadas. Esse não é um acontecimento típico da região Amazônica, explica o gerente do Programa Amazônia do WWG Brasil, Ricardo Mello.

Todo fogo [na região amazônica] é de alguma forma iniciado pelo ser humano, afirma Mello. Ele também afirma que devido a esse fator, o aumento das queimadas na Amazônia está diretamente ligado a ação humana.

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Incêndio: uma ferramenta utilizada para desmatar

Foram registrados 23 mil focos de incêndio na Amazônia, até ontem (20/08). Esse número corresponde a uma média de mil queimadas por dia.

Se comparado ao ano de 2005, quando a região teve o recorde de queimadas, foram registrados 51.457 focos de incêndio. Porém, na época, a região passava por um período de seca extrema, o que colaborava decisivamente para alastrar o fogo.

A diretora de ciência do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Ane Alencar, explicou que neste ano não teve uma seca extrema, como em 2015 e 2016 e que os dois próximos anos foram períodos chuvosos na região. Além disso, esse ano, não existe também, ou não foi registrado uma forte presença de eventos climáticos, como o El Ninõ (fenômeno que afeta diretamente as secas).

Portanto, as taxas de desmatamento estão ligadas à incidência de fogo, afirma Danicley Aguiar, membro da campanha Amazônia do Greenpeace. De acordo com a entidade, no período de janeiro a 20 de agosto, o número de queimadas na região foi 145% superior ao registrado na mesma época de 2018.

(Fontes: Queimadas na Amazônia: Percentual em agosto é o maior já medido pelo Inpe).

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