Recrutamento e redes sociais: invasão de privacidade ou mais uma forma de seleção?

Com bilhões de usuários, as redes sociais tornam-se mais um local onde os recrutadores podem acessar informações complementares sobre candidatos ou até mesmo divulgar vagas. 

Por Eduardo Freitas Oliveira*

O candidato chega para uma entrevista de trabalho e, após as questões iniciais e mais formais sobre formação, experiência e atividades anteriores, o recrutador começa a fazer perguntas pessoais, com informações que só poderiam ser obtidas nas redes sociais. Isso se configura invasão de privacidade ou é somente mais uma ferramenta para ajudar na seleção?

Este artigo fecha a nossa trilogia sobre recrutamento, discutindo sobre algo que, no contexto atual, com o escândalo da Consultoria Cambridge Analytica e o Facebook, está muito presente e tem despertado indignação nas pessoas. 

Saiba mais sobre como a distância entre candidatos e empresas influencia na seleção e sobre onde os profissionais de Geociências encontram oportunidades de trabalho.

Recrutamento e redes sociais

Não obstante, o uso das redes sociais é uma realidade cada vez mais comum e presente no campo do recrutamento e dos recursos humanos. E, ao que tudo indica, mesmo com os recentes acontecimentos, essa prática não vai deixar de existir e deve até se intensificar nos próximos anos. 

O número de usuários do Facebook ultrapassou, no ano passado, a marca de 2 bilhões. No LinkedIn, já são mais de 500 milhões de cadastros. E já que nas redes sociais as pessoas informam mais dados do que nos currículos, nada mais natural que os recrutadores aproveitem tudo isso para criar mais filtros nos processos de seleção. Ainda que os candidatos não concordem, isso acontece muito mais frequentemente do que você pode imaginar.

Opinião dos usuários de redes sociais

Em uma enquete realizada no Facebook, foi perguntado se é positivo ou negativo um recrutador ter acesso a todas as redes sociais do candidato. O resultado foi surpreendente:  58% dos participantes acham que isso é natural, enquanto 32,3% consideram algo agressivo e 9,7% afirmam que depende de outros fatores.

gráfico uso de redes sociais Dentre os comentários, muitos afirmaram que as empresas geralmente fazem esse tipo de sondagem, mas a maioria não admite. Quem considera isso positivo comentou que a análise das redes sociais de candidatos reduz trabalho, tempo e custos na contratação. Outros analisaram que as redes são usadas para o recrutador ter uma última impressão sobre os candidatos, do que necessariamente buscar funcionários. Ainda, ajudam a ver como a pessoa se posiciona, se produz algum conteúdo, se tem envolvimento em polêmicas.

O que é público?

Em relação à privacidade, chegou-se a um consenso de que, quando alguém posta algo nas redes sociais, isso se torna público. Ou seja, quem quiser que algo permaneça privado, deve abster-se de publicar nas redes sociais ou usar os devidos filtros para que a informação não apareça para todos.

Por outro lado, houve comentários no sentido de que mesmo nas redes sociais é difícil conhecer realmente uma pessoa e que isso só acontece no dia-a-dia. Sobre a divisão entre perfil “profissional” e outro “pessoal”, isso caiu por terra com as novas dinâmicas do mercado de trabalho, no qual estamos o tempo inteiro nos posicionando nas redes sociais, quando se confundem as questões profissionais com as pessoais.

Porém, deve-se refletir se algum tipo de preconceito do recrutador pode interferir no processo de seleção. E, finalmente, é essencial que os fundadores das empresas – pelo menos as que estão em sua fase inicial – se envolvam mais nos processos de seleção, para garantir que o perfil dos candidatos esteja alinhado com o propósito e cultura da organização.

Uso reverso

Fazendo uma enquete reversa, foi perguntado se candidatos costumam acessar as redes sociais das empresas para ver se os valores “batem” com o que elas pregam. Afinal, muitas vezes a missão, visão e valores são somente um quadro bonito na parede e não refletem as ações da companhia no cotidiano.

A maioria esmagadora afirmou que dificilmente os candidatos acessam o site para isso, mas sim para buscar e se candidatar a vagas. Um empresário chegou a afirmar que 80% dos currículos que ele recebe chegam através da página da empresa nas redes sociais. Já um participante da enquete chegou a afirmar que “candidato mesmo quer emprego e dinheiro”. Por outro lado, uma pessoa comentou que saiu de um emprego por verificar que, na prática, as ações da empresa eram discordantes do seu discurso oficial.

Como estar preparado

Em um mundo megaconectado, onde informação vale ouro, cada vez mais os recrutadores vão fazer suas análises em função de um maior número de dados sobre os candidatos, e as redes sociais estão aí para ajudar, não para atrapalhar. Fazendo um paralelo com o setor de Geo, quanto mais informação, melhor a precisão.

Você pode estar se perguntando: mas, Eduardo, como eu posso me preparar?

Se você está buscando uma oportunidade de trabalho, é bom saber que recrutadores fatalmente vão buscar pelo seu nome nas redes sociais em um processo de seleção. Por isso, mantenha seus perfis atualizados, capriche nas suas fotos de perfil e de capa, tenha cuidado com o que você posta e como você se posiciona em relação a temas polêmicos e, se possível, produza conteúdo nas formas com as quais você se sentir mais à vontade, como, por exemplo, escrevendo artigos ou gravando vídeos. E sucesso!

Requisitos e habilidades dos profissionais de Geo

O GEOeduc fez uma pesquisa sobre quais os requisitos e habilidades mais valorizados pelos recrutadores no setor de Geotecnologia. Veja quais itens são obrigatórios e quais evitar em seu currículo, confira quais são as habilidades indispensáveis para qualquer profissional de Geo e saiba quais são os diferenciais que vão fazer seu currículo de destacar entre os demais: http://conteudo.geoeduc.com/relatorio-pesquisa-requisitos-diferenciais-geo.

Empreendendo na área de Geociências

Você sempre quis empreender na área de Geociências, Geografia ou Geotecnologias, mas as incertezas do mercado te desanimam? Você tem dúvidas sobre como começar o seu negócio nessa área? Você, que tem vontade de avançar dentro da empresa em que trabalha, sabia que é possível ser um colaborador empreendedor? Esta é a sua chance de conhecer todo o seu potencial!

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Eduardo Freitas – Idealizador do geoXchange, Co-Fundador do MDI, Consultor-Especialista no GEOeduc, Diretor de Operações do MundoGEO, Projetista na Engest Engenharia. Engenheiro Cartógrafo (UFPR), Técnico em Edificações (UTFPR). Especialização em Gestão Estratégica em EAD (Senac-SP), com mais de 20 anos de experiência em Obras Civis e Geotecnologia, atuando em empresas como Engebanc, Vertrag, Absoluta, Empresa Júnior de Cartografia da UFPR, entre outras. Coordenador do Instituto GEOeduc de 2014 a 2017. Diretor Financeiro da Associação Brasileira de Engenheiros Cartógrafos – Regional Paraná (ABEC-PR) 2013/2015, Membro da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) e do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP). Tradutor de 2007 a 2013 do Informativo para América Latina e Caribe da Associação para a Infraestrutura Global de Dados Espaciais (GSDI), Tradutor desde 2012 do Informativo do Fórum Ibero-Americano do Consórcio Geoespacial Aberto (OGC), Tradutor desde 2014 do Informativo GeoSUR. Membro da Equipe de Tradução do software livre QGIS – 2015/2016, Membro da Comissão Avaliadora das Jornadas Internacionais do software livre gvSIG – 2013-2014. Atuou como Gerente de Social Media. Editor das Revistas/Portais MundoGEO & DroneShow e Coordenador da Programação dos Eventos Presenciais (Seminários, Hackatons, MundoGEO#Connect & DroneShow) e Online (Webinars, Workshops) da MundoGEO. Liderou a participação da MundoGEO em Projetos de Cooperação Internacional envolvendo instituições latino-americanas e europeias. Autor do blog GeoDrops. Artigos publicados nas revistas Scientific American Brasil, GIS Development, entre outras. Participação no documentário Todo Mapa tem um Discurso. Criador do primeiro grupo de Mastermind de Geotecnologia (Geomind). Criador da página I See Maps All The Time. Palestrante em Conferências Nacionais e Internacionais sobre Tendências em Geotecnologia & Drones, (Geo)Marketing Digital, GeoEmpreendedorismo, Qualificação/Atualização Profissional e temas afins.


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