Saldo chuvas de verão

Saldo das chuvas de verão foi pior em comparação ao ano passado

As chuvas de verão fizeram muitas vítimas e grandes prejuízos pelo Brasil e foi mais devastadora no comparativo com o saldo deixado em março do ano passado. A “culpa”, no entanto, não é do clima, da imprevisibilidade do tempo ou das chuvas, mas do planejamento inadequado na gestão pública.

Chuvas de verão: as vilãs?

Todo ano é a mesma coisa, mas os verdadeiros encarregados pela administração da coisa pública e pela segurança da população insistem em tratar a situação como desastre natural, imprevisível, atípico, entre outros nomes que buscam direcionar a responsabilidade ao acaso, a uma força maior, à natureza.

Um rápido exercício da lógica revela, contudo, que atribuir a alcunha de vilã à chuva, sendo que, em todos os anos, imperativamente, a história vem se repetindo, é apenas uma forma de tentar eximir-se do encargo de fazer algo realmente eficiente a respeito.

Saldo das chuvas de verão

Em São Paulo, a Defesa Civil do estado contabilizou um aumento de quase 4 vezes no número de mortos em decorrência das chuvas. Foram 38 mortes, sendo que, no verão de 2017 para 2018, foram 10. Ainda segundo dados da Defesa Civil, o número de municípios atingidos pelas chuvas em São Paulo também aumentou, de 59 para 137, e o número de pessoas desalojadas foi de duas mil para quase seis mil.

As enchentes foram a maior causa de mortes e, apesar de ter chovido 51% a mais do que no verão anterior, o volume acumulado das chuvas ficou bem próximo à média histórica, portanto não pode ser considerado um volume atípico ou imprevisível.

Gestão de cidades

No Rio, as chuvas atrapalharam o Carnaval, no início de março, causando muitos estragos, mas o pior ocorreu no início de fevereiro, quando uma forte chuva causou diversos deslizamentos, quedas de árvores e alagamentos, provocando 7 vítimas fatais.

Em Minas Gerais, várias barragens foram classificadas como de alto risco de rompimento, sobretudo em razão das fortes chuvas no estado e por causa do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. Apesar de ser um fator agravante do risco, as chuvas não podem ser consideradas as responsáveis pelo rompimento de barragens, que devem ser projetadas para suportar o período de maior precipitação.

Leia também: Gestão de cidades, previsibilidade e responsabilidade.

Sem chuvas é muito pior

De fato, o ser humano, durante sua história, viveu muito mais em harmonia com a chuva do que em guerra. Os povos antigos rezavam e faziam rituais para atrair muita chuva para as plantações e para o aumento dos níveis de água nos rios e bacias.

Mesmo com todos os avanços da modernidade, ainda hoje, nos anos de maior estiagem, a população sofre com racionamento de água e energia, bem como com o aumento dos preços, em razão do baixo nível dos reservatórios.

No ano passado, que teve chuvas abaixo da média histórica, a população, sobretudo em São Paulo, sofreu com problemas de abastecimento, e ,mesmo assim, contabilizou mortes e grandes prejuízos no período das chuvas de verão. (Para saber mais sobre a crise hídrica, leia: Crise da água e Gestão de Recursos Hídricos: Cidade do Cabo, São Paulo e o mundo).

Tudo isso leva à conclusão de que os fenômenos sazonais, que fazem parte da dinâmica natural do planeta Terra, devem ser estudados, entendidos e respeitados, no que tange ao planejamento urbano e na criação de políticas públicas. Esse é um problema de gestão pública, e dos mais sérios. Mas também é um problema solucionável e para o qual as Geociências (dentre ela a Engenharia, a Geografia, entre outras) podem fazer diversas contribuições.

SIG para gestão de cidades no verão

O Instituto GEOeduc oferece um curso sobre SIG para Gestão de Cidades no Verão, que aborda conceitos e ferramentas de planejamento e SIG, aplicados a fenômenos sazonais típicos do verão brasileiro. Além disso, o aluno aprende a produzir mapas e painéis de BI para apoiar a gestão de cidades durante essa época do ano.

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