Transformações no ensino de Geomensura. Como manter a relevância?

Estamos formando profissionais do século 21, com tecnologia do século 20 e métodos dos séculos 19, 18 e por aí vai… Diante desse desafio, como o ensino de profissões milenares como a Geomensura pode sobreviver? *Por Eduardo Freitas

Se você pesquisar por fotos de salas de aula de hoje e comparar com imagens dos séculos 19, 18 e até anteriores, verá que o formato não mudou muito.

Basicamente, ainda se usa o modelo de um professor – nem sempre motivado – que entrega conteúdos para alunos – geralmente passivos – que assistem sem muito questionamento.

Os métodos de ensino, ainda que se tenha avançado muito, tecnologicamente falando, são mais ou menos os mesmos.

Se o aluno, por algum motivo pessoal ou de trabalho, não consegue assistir a uma aula, é preciso recorrer a livros ou anotações dos colegas que tenham participado na aula.

Desafios na área de Geomensura

Na área de Geomensura, é um desafio manter os alunos motivados, ainda mais hoje com uma geração de estudantes conectada e acostumada a consumir conteúdos em altíssima velocidade.

É evidente que os métodos e instrumentos utilizados para fazer Topografía já não são os mesmos que os usados há alguns anos.

Os instrumentos atuais são automatizados e requerem menos operações manuais e eventualmente podem até mesmo ser substituídos por drones. Tudo isso tem feito com que já não se necessitem vários profissionais com formação especializada para as tarefas de campo.

Por tudo isso, a demanda por qualificação em Topografia – seja em cursos técnicos/universitários ou em treinamentos rápidos – tem aos poucos diminuído. Hoje, é cada vez mais difícil encontrar cursos voltados para esta área.

Se antigamente estava em alta estudar uma Engenharia relacionada com a área de edificações, o que fez com que fossem abertas muitas escolas, agora se vê alguns cursos fechando ou se fundindo com outras especialidades. Um pouco de tudo isso deve-se à crise econômica recente, mas também às novas dinâmicas no mercado de trabalho.

Por outro lado, os seres humanos necessitam a todo momento saber onde se encontram, a distância que devem percorrer, o que existe em suas propriedades… Segundo a complexidade destas perguntas, quem deve respondê-las é um profissional da área técnica, que até hoje pode ser chamado “Topógrafo” ou “Geomensor”, mas o que nos reserva o futuro? Estas profissões vão conseguir manter sua relevância no mercado?

Inovações no mercado

Na verdade, o que está acontecendo no mercado não é uma “lenta morte” da Topografia, mas sim uma grande transformação no perfil de profissional desta área. A tecnologia avançou tanto, que as atividades de medição se tornaram fáceis, repetitivas e “robóticas”, não requerendo mais uma formação altamente especializada.

Por outro lado, os profissionais mais qualificados devem dar um passo adiante, muito além da simples coleta de dados, dedicando sua experiência também às áreas de gestão e análise dos dados, para extrair informação útil para a tomada de decisão.

E a Universidade tem que acompanhar esta rápida transformação, dedicando seu potencial ao ensino destas técnicas, além de habilidades de gerenciamento de projetos e liderança. Também a forma de ensino tem que se modernizar, avançando em relação aos métodos tradicionais na direção de aulas mais dinâmicas, tele-presença, avaliação contínua, aprendizado por projetos…

Leia também: Novas tecnologias e perfil do profissional de campo do século XXI

5 passos para manter a relevância da profissão

Para o pesquisador Robin Mc Laren, a relevância da profissão de Topógrafos, Geomensores e Agrimensores está conectada a estas 5 características críticas:

1 – Alcance: se ensinarmos aos jovens profissionais a serem tão criativos no setor geoespacial como o são em tecnologia da informação, se abrirão portas para fluxos de recursos provenientes de novas fontes, como por exemplo a propriedade intelectual e novos serviços, que possam expandir a influência do agrimensor na resolução de problemas.

2 – Eficácia: as soluções de nossos problemas globais só serão alcançadas mediante a colaboração com outras profissões. Desta forma, os cursos devem envolver o trabalho em equipes multidisciplinares para resolver problemas, ao invés de ficarmos isolados em “ilhas de Geoprocessamento”.

3 – Conectividade: muitas vezes isolamos nossa profissão com discursos monótonos e/ou auto-complacentes. Em um mundo onde reinam as redes sociais e a desinformação, é fundamental transmitir nossa mensagem de forma clara e objetiva àqueles a quem tentamos influenciar, como os políticos e leigos.

4 – Adequação: nossas soluções parecem estar sobre-especificadas e são geralmente muito caras para os requisitos dos clientes. Precisamos escutar mais e de maneira mais efetiva as necessidades dos clientes, compreender melhor o contexto cultural e oferecer soluções aptas para o seu propósito.

5 – Resiliência: devemos levantar nossas cabeças, compreender o que está ocorrendo no mundo e nos adaptar rapidamente. Isto vai requerer que sejam mantidos nossos valores globais.

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(Fonte: O ensino universitário está morrendo na topografia?)

 

Eduardo Freitas, Idealizador do geoXchange, Co-Fundador do MDI, Consultor-Especialista no GEOeduc, Diretor de Operações do MundoGEO, Projetista na Engest Engenharia. Engenheiro Cartógrafo (UFPR), Técnico em Edificações (UTFPR), Especialização em Gestão Estratégica em EAD (Senac-SP), com mais de 20 anos de experiência em Obras Civis e Geotecnologia, atuando em empresas como Engebanc, Vertrag, Absoluta, Empresa Júnior de Cartografia da UFPR, entre outras. Coordenador do Instituto GEOeduc de 2014 a 2017.

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